06/10/2009

Todo cambia

Depois de muito tempo escuto a expressão extrema unção. Era mercedes. "La negra é guerreira, vai aguentar, de novo". mas foi no domingo, que ela se foi. Todo se cambió. 

Fica aí esta foto, certamente não é a melhor foto, mas foi a que eu tirei com meu celular, em um show que tive oportunidade de assistir. eu estive diante de la negra.

Existem alguns hinos que embalam os corações de todos, existem hinos que embalam corações latino-americanos e existem hinos que embalam os corações de quem se encontra distante de algo ou de tudo. A voz de Mercedes Sosa tornou algumas letras, de hermanos nuestros, esses hinos. tocou a fundo nossa alma. Cantando simples versos, profundos. Cheios de sua voz. assim como todo cambia, de Julio Numhauser.

Cambia lo superficial, Cambia también lo profundo, Cambia el modo de pensar, Cambia todo en este mundo

(...)

Pero no cambia mi amor, Por mas lejo que me encuentre, Ni el recuerdo ni el dolor, De mi pueblo y de mi gente

Lo que cambió ayer, Tendrá que cambiar mañana, Así como cambio yo, En esta tierra lejana

veja abaixo o vídeo da música.

simples versos, tão fortes, que ecoam, com aquela voz, de uma latino americana argentina de amigos brasileiros e bolivianos e do mundo todo, de mil nacionalidades e de nenhuma. o que é local, se torna universal. é a dor, e a vontade de todo um povo oprimido. 

Deixo logo a baixo, um belo texto de meu tio, Ahmad Schabib, em homenagem para la Negra.

A voz da unidade latino-americana ecoa agora em outras dimensões

“Milonga así, para cantarle a mi gente, yo canto para encontrarla, y si ella me escucha, mi canto hace falta...” Mercedes Sosa, a voz, a alma, a dama da unidade latino-americana, ecoa agora em outras dimensões – foi embalar a esperança dos querubins e das fadas...

Nesta primeira noite sem o seu testemunho, a lua nos vem trazer sua presença, bem ao estilo tucumano, como lunita tucumana, tendo bebido da fonte de seus mestres Jorge Cafrune, Atahualpa Yupanqui, Víctor Jara, Violeta Parra e tantos outros irmãos de alma que, neste momento, devem estar celebrando o seu reencontro: “Yo no le canto a la luna porque alumbra nada más, le canto porque ella sabe de mi largo caminar...”

E, agora, como ficamos nós, feitos órfãos desamparados, de corações rotos, destroçados, a levar esta lida sem a nossa lira a embalar nossas angústias, nossa indignação, nossa alegria e, sobretudo, sem a sua generosa utopia?...

A nossa sonhada unidade latino-americana começa timidamente a se esboçar, e sem dúvida, tem sua conquista na dedicação de Vida, de encanto, de canto, dessa brava Mulher guerreira, que nem a morte pôde aplacar-lhe a tenacidade: resistiu estoicamente até o último instante, como querendo dizer que continua a palpitar em cada coração que ajudou a fecundar, na luz da esperança que disseminou ao longo de mais de quatro décadas, a despeito da noite nefasta de outrora e da mesquinhez entrevada desta contemporaneidade desalmada.

Obrigado, Mercedes, por sua generosidade! Obrigado, Mercedes, por sua luz, sua voz, sua Vida e sua esperança!...

“Gracias a la Vida que me ha dado  tanto, me ha dado la risa y me ha dado el llanto, así yo distingo dicha de quebranto, los dos materiales que forman mi canto, y el canto de ustedes que es el mismo canto, y el canto de todos que es mi propio canto…” 

1 pessoas falando:

tatinha disse...

Eu li e chorei... hehehehe...

vc deu um super upload no seu blog e ficou muito legal. Sinto um puta orgulho de vc e vontade de dizer gracias a la vida que me ha dado tanto... os dias de alegria e as tristezas compartilhadas com vc, são puta presentes dessa vida. E qdo me diz que eu nunca te deixo endurecer com a crueldade do mundo, sou eu quem devo dizer que vc sempre me faz sentir vontade ir muito mais além.

Te amo, Luaninha!